[Contos de Fevereiro] Acampamento de Carnaval por Aline Duarte

Olá leitores!

Infelizmente a semana vai terminar mais cedo esse mês, por falta de preencher as vagas, mas não se reprimam, pois mês que vem estaremos aqui cheios de histórias!

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Acampamento de Carnaval


Depois de voltar à rotina agitada de trabalho e estudos após a virada do ano, chegou as festividades de fevereiro, e Carolina decidiu passar o carnaval na casa de uma prima, no sul do estado. A cidade é turística, e como pouco viajava ia aproveitar para conhecer todos os pontos turísticos possíveis naquele período que estaria ali.

Ela pegou o ônibus cedo saindo da sua cidade do interior destino à pequena cidade praiana. Estava na flor da idade e queria se divertir, e era isso que esperava quando pisou na Cidade das Praias. Era sexta feira 13, mas pouco importava, ela não acreditava na superstição, a data lhe trazia sorte.

― Bom dia priminha! ― era só o modo de falar, pois Pedro estava longe de ter um parentesco.

Pedro e Carol se conheceram na virada do ano, mais precisamente no dia primeiro de janeiro desse mesmo ano, e logo se interessaram um pelo outro. Solteiros e desimpedidos, quando a atração física foi maior do que podiam suportar, entregaram-se um ao outro, apenas de corpo, pois sabiam das complicações que um relacionamento à distância traria. 

Através de conversas com a prima de Carol, ele soube que ela voltaria àquela cidadezinha, e ele não podia perder a oportunidade de vê-la novamente, pois mesmo que não queriam um relacionamento sério, eles eram fortemente atraídos um pelo outro.

― Bom dia primo! Veio passar o carnaval aqui na Helena também? ― fora inesperado reencontrar-se com Pedro, ela não esperava, mas deu um forte abraço antes de cumprimentar sua prima com um abraço caloroso e depois seu marido, que também a esperavam na rodoviária.

Ele contou os detalhes do que tinha em mente para o final de semana de carnaval. Seria um final de semana em outra praia, um pouco distante da casa sua prima, alugariam um Camping para passarem a noite, e durante o restante do tempo conheceriam melhor aquele lugar. Um final de semana só os dois, Carolina concluiu enquanto ele colocava suas bolsas no porta malas do carro de Carlos, marido de Helena, que esperaram dentro do carro enquanto os dois planejavam sua fuga carnavalesca.

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Acordaram tarde na manhã seguinte, o lanche da noite anterior saiu atrasado e junto as conversas mais animadas sobre o que esperavam para o final de semana, e sem contar a primeira noite acalorado de ambos que se foi até altas horas de conversas íntimas, abraços e suspiros.

Colocaram tudo o que precisavam nas mochilas e partiram rumo à Praia do Farol de Santa Marta, conhecida na região pela arquitetura antiga e corroída pelo tempo. Helena e seu marido foram junto, como guias turísticos.

O jovem casal registrou sua entrada no Camping assim que chegaram no local, armaram a barraca e foram explorar um pouquinho desse paraíso na companhia de seus primos.

O Camping era lindo, uma subida íngreme anti derrapagem depois da guarita, levavam os visitantes até o campo coberto por grama, no topo da colina plana. Do lado esquerdo onde eram armada as barracas, do lado direito, tinham quatro chalés, com seu telhado quase chegando ao chão em "v" invertido. Mais um pouco para a frente das barracas o campo dispunhava de banheiros, feminino e masculino separados, e uma área de festa com churrasqueira. 

Todo aquele verde e o ar puro e fresco lembrou a jovem moça de onde ela vinha, mas ao abrir os olhos de frente para a rua, lá estava a visão que não tinha sua cidade: as ondas do mar que esbarravam com certa violência nas pedras, mas mesmo assim a deixava atônita.

A paisagem era deslumbrante e Pedro fotografava incansavelmente, Carolina apenas posava para as fotos, queria poupar a bateria do seu celular. Carlos abraçava e beijava sua mulher, admirando sua beleza e os cabelos ao vento, fazendo-a soltar risinhos tímidos, Carolina observou, sem saber que ela mesma estava sendo observada por Pedro, que a admirava em silêncio, e registrou esse momento sem ela desconfiar.

O sol estava se pondo perto das oito horas, nessa época do ano a noite chegava mais tarde do que de costume. Helena se despede da prima e do amigo para voltar ao seu lar e aproveitar o final de semana na companhia de Carlos.

― Se cuidem meus amores ― despediu-se com um abraço apertado em cada um e partiu.

Agora sozinhos, eles foram conhecer os restaurantes próximos, escolheram um com estrutura rústica e decoração praiana. Ao entrarem no modesto restaurante, Carolina percebeu algumas conchas ao redor de uma pequena luminária que repousava no centro de cada mesa, cuja toalha era de algodão. Em cada lugar na mesa dispunhava de um jogo americano que combinava com a decoração, palitinhos de bambu costurados lado a lado. Na companhia do garçom, passaram reto e foram para o fundo do restaurante, perto da janela onde tinha a vista do mar batendo nas pedras.

― O que está achando do passeio, Carol?

Sentados de frente ao outro, Pedro a pergunta olhando no fundo dos seus olhos, com o aprendizado de anos jogando Poker com amigos de linga data nos finais de semana, o rapaz se tornou muito bom em desvendar olhares, ainda mais de uma moça de bom coração.

― Eu estou achando maravilhoso ― a moça responde sinceramente e isso faz um sorriso de canto, um tanto aliviado, apareça nos lábios de Pedro, mas antes que ele revele seus planos secretos, a comida chega e ele enche sua boca do saboroso alimento.

Vinho branco, o favorito dela, acompanhava o delicioso camarão refogado em diversos temperos e cheiro verde, depois fervido em um molho branco especial, a moda da casa, também o favorito dela. Tudo parte do plano.

― Está gostando da faculdade? ― uma tentativa de continuar a conversa falou mais alto, e o rapaz soltou a primeira coisa que lhe veio à mente, totalmente impulsivo, ele sempre foi calculista, até demais, algo que ele não controlava quando estava com ela.

Mas o papo fluiu rapidamente, ele parece ter acertado no assunto da conversa. Carolina falava entusiasmada sobre sua grade curricular, os novos amigos. O que era para ser uma refeição silenciosa e sem graça, se tornou amistosa e agradável, eles se davam bem e gostavam da companhia um do outro.

Finalizando o jantar, dividiram a conta e caminharam pela calçada rua a baixo da pequena colina, passaram pela entrada do farol, que estava fechada a essa hora da noite. As lojas cheias de visitantes durante aquela tarde, agora estavam fechadas e escuras.

Aquele trecho estava pouco iluminado e silencioso, mas porque a concentração de pessoas estava maior na praia, um pouco mais à frente, onde eles caminhavam em direção. Algumas pessoas fantasiadas passaram apressadas por eles, iriam festar ao som de algumas bandas e depois teria a escolha das melhores fantasias.

Pouco antes de chegar na avenida principal Pedro percebe que logo estarão cercados por vários olhos, mesmo que um pouco fora de si por causa da bebida trazida de casa em uma caixa térmica ou comprada no bar e petisqueiras que estão servindo na rua da praia. 

E sem aviso prévio ele puxa Carolina para perto de si e a encurrala na parede do lado direito da calçada, um mão a segura pela cintura, próximo ao seu corpo, e a outra apoia no muro ao lado da sua cabeça, seus rostos a centímetros de distância, suas respirações ofegantes se entrelaçam no pouco ar que os separam. 

Por meio minuto eles se encaram, podiam ver a chama ardente no fundo da íris do outro crescendo, Pedro termina o que começou selando seus lábios famintos nos dela de igual sentimento.

Foi um beijo romântico com um toque de urgência e selvageria, ela sentia falta desse beijo, e ele nunca esquecera. Ofegantes e satisfeitos eles se soltam e se abraçam por um tempo que poderia ser infinito. Podiam sentir o coração palpitar, mas não era por causa do momento e sim o sentimento adormecido que despertava aos poucos.

Continuaram a caminhada de mãos dadas até a agitação na calçada aumentar. Agora na rua principal eles podiam ouvir melhor o som da festa, cada vez mais próximos da praia.

— Ali— ele apontou para uma loja de fantasias onde muitas pessoas entravam e saiam, Carolina foi puxada pela cintura.

Enquanto atravessava apressadamente a rua da praia e agora fora de sua bolha "Pedrolina", Carolina pode perceber a agitação. Vários comércios daquela rua beira-mar estavam abertas atendendo, desde lojas de roupas e fantasias até bebidas e petiscos.

Entraram de mãos dadas na loja, a muvuca era grande e assim a chance de se perderem um do outro era menor, passando direto para o fundo que tinha menos pessoas.

— Carol — ele a chama carinhosamente e ela atende no mesmo tom, estava distraída vendo uns biquínis de costas para ele — essa coroa é perfeita para você, olha — ele ajeita em seu cabelo. 

Combina com seu tom de pele, ele pensa, mas não fala. Onde estava essa mulher esse tempo todo? Se questiona brincando. Ela era perfeita, e estava ali, na companhia dele esse final de semana inteiro. Como pode passar despercebido antes?

— Realmente, ficou muito bonito, — ela afirma olhando para ele através do espelho abrindo um sorriso — você tem bom gosto.

A coroa era feita de flores, e muito bem pregadas, vários tons de rosa que combinavam com a cor do seu cabelo longo, um castanho profundo. Ambos pegam suas fantasias e vão para o caixa pagar, antes de entrar no clima do carnaval. 

Pedro, que é muito observador, percebe Carolina provando uns anéis de coquinho na fila do caixa, ele logo tem uma ideia e antes de ir embora faz sinal para o senhor dono que operava o caixa da loja.

— Ah, me espera aqui que eu já volto, eu acho que fiquei com dinheiro a mais do troco — ele diz quando passam pela porta da loja, rezando para que ela não tenha percebido a deixa dele.

Agora vestido a caráter, o jovem casal pode curtir a festa, procuram por um espaço menos cheio na longa faixa de areia, depois de comprarem as bebidas e dançam e fuliam até de manhã.

Carolina não gostava dessa festa nacional, mas ao lado de Pedro ela se divertiu como nunca, ele apenas ria das suas tentativas de sambar e amenizava seu constrangimento imitando ela, como se fosse um novo passo da dança.

Por volta da meia noite, depois do resultado do concurso de fantasias infantis, as famílias foram para suas casas, levando seus pequenos foliões para a cama. Assim o lugar ficou mais fresco e menos tumultuado, pois diminuiu uma certa quantidade de pessoas. 

Uma hora mais tarde foi a vez do concurso adulto de fantasias, Pedro e Carolina se inscreveram, ambos estavam fantasiados de Dançarina de Ula. Carolina ficou com a coroa de flores e aderiu ao seu visual uma saia feita com ráfia que caía até seus joelhos, e um bustiê feito com casca de côco e alguns colares florais. Pedro, como seu par, se fantasiou de Dançarino de Ula, vestindo uma bermuda floral havaiana, pequenas saias havaianas em cada perna na altura dos joelhos e ao redor do pescoço colares florais.

Infelizmente o jovem casal não ganhou a competição, mas novamente a praia esvaziou mais um pouco depois do resultado. Alguns foliões que já tinham passado dos limites do álcool foram arrastado para fora da festa por seus amigos. Foi trocada a banda e sobrou apenas os que queriam curtir a festa mesmo. Eles dançaram, brincaram e se divertiram juntos.

Passada das quatro horas, ambos que não estavam acostumados com aquela agitação, se despediram de umas pessoas que fizeram amizade ali na praia, e seguiram para o acampamento, era apenas subir a estreita estrada de calçamento solto, na direção oposta da que eles vieram do restaurante.

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Caroline acordou com o sol na cara, por volta das 6 da manhã, mas logo pegou no sono novamente, Pedro dormia como uma pedra de tão profundo que era seu sono. Despertaram mesmo depois do meio dia, era pedaços da saia havaiana para tudo que era lugar, misturado com o suor da madrugada agitada na praia, e da própria estação.

Enquanto Carolina tomava banho para tirar os vestígios da madrugada, como suor, Glitter e confetes de tudo que era cor e formato, Pedro organizava as coisas para levantar acampamento. Agora limpa e cheirosa, os dois desmontaram a barraca e guardaram tudo no carro e enquanto ele se arrumava, ela aguardava no carro.

Está chegando a hora, pensava ele, e ela nada desconfiava, mas esse final de semana mexeu com ela, alguma coisa estava diferente em Pedro em relação à vez que se conheceram. 

Por algum motivo Carolina passou os últimos vinte minutos pensando sobre esse final de semana, desde que ela chegou na rodoviária e foi recebida por Pedro. Tinha algo novo nele e diferente, que ela não conseguia descrever em pesamentos claros. Algo que despertou nela.

Ele portanto, planejava cada palavra, cada gesto. Ele sabia exatamente o que ele queria, e o que sentia. Claro que isso foi o que ele sentiu quando eles se conheceram, mas ao revê-la na rodoviária, ele teve a confirmação mais forte em seu coração. Ele só precisava descobrir se era recíproco.

Pedro tomou toda a coragem que não tinha enquanto olhava para aquele singelo anel, e depois de guardar o presente caminhou a passos ansiosos em direção ao seu carro, no estacionamento do Camping perto da área de festa.

Ela estava mexendo no celular, a porta do carro estava aberta e Pedro conseguiu ver o aparelho na sua mão depois que ela mudou de posição no banco do motorista. Ela sorria enquanto tocava na tela do aparelho. Estaria ela falando com algum outro cara da sua cidade? Pensou ele, ou um novo amigo da faculdade? O rapaz estava tão ansioso que já estava imaginando coisas. Ou seriam avisos da verdade?

Deixou a leve brisa levar esses pensamentos e aproximou-se do carro, Carolina abriu um sorriso lindo ao levantar a cabeça e perceber sua presença. 

― Vamos? ― ele convidou e enquanto ela pulava para o banco do passageiro Pedro pode notar a tela do celular dela, eram as fotos do dia anterior. 

Ela estava revendo as fotos deles. De repente o rapaz sentiu um calor no seu peito, aquele sentimento de felicidade que não cabia no peito, mas o tempo em transe parado no mesmo lugar chamou a atenção de Carolina.

― Está tudo bem? ― ela perguntou sorrindo. E ele responde sem jeito.

― Está sim, vamos. Estou morrendo de fome. Podemos comer uns petiscos no bar e petisqueira na beira da praia onde vamos agora. ― ela respondeu afirmando e sorrindo, então partiram para o próximo destino.

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Enquanto aguardavam o petisco ficar pronto, eles desfrutavam de uma cerveja bem gelada, era perto das duas da tarde, então teriam muito tempo para curtir a praia ainda, Pedro não planejava estragar o resto do domingo com sua declaração, então deixou para depois.

― Você está bem pensativo desde que saímos do acampamento ― algo dentro de Caroline a incomodava, será que estava sendo uma boa companhia, ou ele acabou se interessando por alguém lá na folia, e tem medo de falar? Essa e várias outras incertezas a atormentavam, mas que sentimento era aquele, ela se perguntava.

― Eu queria te contar algo, mas tenho receio ― ele falou depois de um silêncio perturbador, e com essa confissão fez Carolina ficar em contraste com seu cabelo, de tão branca.

― Tudo bem, pode me falar ― ela disse, tocando sobre as mãos dele, tentando passar conforto para ele continuar, e as palavras saíram com muito esforço, mas a curiosidade da moça era maior que ela.

― Nós nos damos muito bem, e mesmo que a gente se conheça há pouco tempo, mas eu gosto muito de você.

Carolina ficou surpresa pelas palavras de Pedro, e disse com sinceridade o que pensava sobre ele.

― Mas isso ainda não responde sobre o seu comportamento, mocinho ― ela o encarou achando que ele estava desconversando e tomou um gole da sua cerveja sem tirar os olhos dele, que abaixou o olhar para a mesa.

― Eu sinto que tenho sentimentos por você, mas que eu não sei se você sente o mesmo, algo mais do que somos agora ― ele tentou explicar fazendo um sinal dele para ela repetidamente, e ficou envergonhado, toda aquela coragem e as palavras que ele ensaiou durante o banho simplesmente sumiram. Ela ficou surpresa, e logo as engrenagens dela funcionaram.

― Seja o que você for pedir, eu aceito ― ela disse simplesmente tirando um peso enorme dos ombros dele, e um nó crescente na boca do seu estômago. 

Ele então retoma aquela coragem que ele tinha juntado antes e que desapareceu no momento em que ele foi pego. Ansiosamente ele retira o saquinho do bolso, Carolina observando cada movimento. Ele retira dois anéis de coquinho e coloca em cima do saquinho.

― Eu quero que você seja minha amiga, minha companheira, minha amante, assim como esse final de semana, mas não só uma companhia carnal, quero fazer parte da sua vida, e você da minha. ― ele tentou ser o mais romântico e direto possível, mas será que ele acertou? ― Esse anel foi a primeira coisa que me veio na cabeça para te presentear caso você aceite.

Ele falou assim, ansiosamente e quase sem respirar, e Caroline adorou a proposta, ela deu o sim mais lindo e alegre que ele já ouvira, tanto que todos ao redor dos jovens enamorado que ouviram, os aplaudiram enquanto eles trocaram a "aliança", e trocaram um beijo apaixonado.

― Você me fez o homem mais feliz, Carol ― ele disse enquanto levava à boca a batata da porção que pediram e que chegou depois da comemoração.

― E eu a mulher mais feliz ― ela respondeu virando a última gota da sua bebida ― mas ainda temos a distância, como que faremos?

― Achei que você não perguntaria! ― Pedro ficou entusiasmado com essa pergunta, o que deixou Carolina confusa. ― Eu recebi uma proposta de trabalho na sua cidade, a empresa a qual eu trabalho vai abrir uma filial e querem que os funcionários mais antigos e de confiança para cuidar por lá. 

― Você vai se mudar para lá quando? E por que não me disse antes?

E dai por diante foi um bombardeio de perguntas, e Pedro respondeu alegremente a todas elas.

Esse acampamento de carnaval vai ficar para a história.

Aline Duarte, nasceu no final da primavera do ano de 1992, na capital catarinense, no sul do Brasil. Em 2015, publicou solo e independente Segredos- Todos Temos Um. Em 2017, publicou antologia de contos Sem mais, o amor, pela Andross Editora, e antologia de poesias A Viagem do Pólen da Vida, em parceria com o Professor Lenilson e Editora Perse. E em breve lançará sua primeira quadrilogia Coração de Oceano, livro um.

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