. Para você, que
[Blog Pense Repense]: Seus livros Lendas Curitibanas 1 e 2
resgatam figuras icônicas como a Loira Fantasma e o Cavalo Babão. Como
nasceu esse seu desejo de ser a guardiã dos mistérios da capital?
[Luciana do Rocio]: Quando eu era criança, com menos de 5 anos
de idade, não gostava quando minha mãe contava contos infantis como:
Cinderela, Branca de Neve ou Bela Adormecida, porque as princesas sempre se
casavam com príncipes no final. Assim, eu preferia quando minha mãe ou
outras mulheres mais velhas contavam histórias como: A Loira Fantasma, Maria
Bueno e a Noiva do Belvedere. Pois essas personagens eram bem mais fortes e
impactantes do que as princesas. Então sempre quando avistava uma mulher
mais velha, eu perguntava:
— Você conhece alguma lenda?
Dessa forma comecei a colecionar lendas na minha cabeça. Já, aos 6 anos de
idade, quando fui alfabetizada passei a anotar as lendas que me contavam. O
tempo passou e na minha juventude fui trabalhar em lojas como vendedora e
auxiliar de crediário, onde eu entrevistava as clientes para liberar o carnê
de compras. Mas na parte, quando elas precisavam falar sobre os bairros onde
moravam, eu sempre perguntava para as clientes:
— No seu bairro tem alguma lenda?
— Qual a origem do seu bairro?
— Tem alguma casa mal assombrada na sua rua?
As freguesas sempre contavam as lendas que conheciam e eu anotava. No final do ano
2001, eu precisei fazer curso de Informática Básica, porque o mercado de
trabalho exigiu. Lá a professora descobriu que eu gostava de escrever
lendas. Assim ela me aconselhou a colocar meus textos num blog que podia ser
no Blogspot ou no Usina de Letras. Deste jeito, consegui um espaço gratuito
no site Usina de Letras.
Em 2004, surgiu uma rede social chamada Orkut e comecei a escrever lá
também. Por volta de 2009, o Orkut fechou e passei a escrever no Facebook.
Desta maneira, em 2012, o jornalista Hélio Puglielli me aconselhou a
publicar um livro. Mas eu confessei que não tinha condições financeiras para
contratar os serviços de uma editora. Porém este jornalista afirmou que a
Editora chamada Instituto Memória, do Anthony Leahy, publicava livros de
forma gratuita se o ator tivesse talento. Entrei em contato com este editor
e em novembro de 2013 o livro, Lendas Curitibanas 1, foi publicado. Em 2019,
foi publicado o livro Lendas Curitibanas 2.
[Blog Pense Repense]: Você é formada em Letras e trabalha como
redatora. Como a sua técnica profissional ajuda a transformar um "causo"
contado de boca em boca em uma narrativa literária que prende o leitor do
início ao fim?
[Luciana do Rocio]: Antes de entrar na faculdade, eu já escrevia
lendas. Então, desde criança, eu sempre usei a seguinte técnica: primeiro
escuto um causo que pode ser na rua, no ônibus, no trabalho ou na Internet.
Depois entrevisto pessoas que podem conhecer essas lendas. Após isso
descarto as contradições. No final, coloco tudo no papel e dou um toque com
minha imaginação.
[Blog Pense Repense]: Muitas das suas lendas envolvem pontos
turísticos reais (Belvedere, Casa Hoffman, Praça da Ucrânia). Você acredita
que conhecer as lendas muda a forma como o curitibano caminha pela
cidade?
[Luciana do Rocio]: Sim, as lendas esclarecem muitas coisas.
Pois toda a lenda tem um fundo de verdade. Por exemplo: na Lenda do
Fantasma da Grávida da Praça da Ucrânia, eu pesquisei e realmente uma
gestante levou uma bala perdida nesse local em 2004 numa feira que acontecia
lá.
A Casa Hoffman foi realmente um espaço onde mulheres aprendiam Dança e nas
entrevistas descobri que uma bailarina, com Câncer, desmaiou lá na vida
real.
Pesquisando nos microfilmes de notícias antigas, descobri que realmente uma
noiva se jogou do Belvedere no começo do século vinte.
Quando você descobre uma lenda que aconteceu num ponto turístico e vai lá
depois, a sua pessoa, com certeza, enxerga o lugar com muito mais
profundidade.
[Blog Pense Repense]: Além de escritora, você é bailarina e
coreógrafa. Existe uma "dança" entre as palavras e o movimento? Como essas
duas artes se misturam no seu processo criativo?
[Luciana do Rocio]: Sim, eu trabalho com uma técnica chamada
Dança-Poesia onde a bailarina faz gestos representando objetos, pessoas e
sentimentos existentes dentro da letra da Música.
Por exemplo, se na música o cantor fala sobre o mar, então a bailarina imita
as ondas do mar com os braços e o nadar das sereias mexendo a cintura. Por
isso, eu faço uma performance gratuita chamada: Lendas, Repentes e Danças,
onde eu conto causos, faço poemas na hora com as palavras que as pessoas
pedem e bailo coreografias diversas.
Inclusive estou com um projeto chamado: Resgatando as Danças de Curitiba de
Séculos Atrás. Pois muitas pessoas acham que Curitiba não tem uma Dança
tradicional. Mas, nas pesquisas, descobri que essa cidade tem várias danças
típicas daqui mesmo, porém que se apagaram com o tempo.
Exemplos: Dança das Lavadeiras do Rio Atuba, Dança das Leiteiras do
Bacacheri, Dança Quirera das Chácaras da Vila de Nossa Senhora da Luz e
Curitibano, uma Dança que se parece muito com o Flamenco espanhol, mas que,
infelizmente, o resto do Brasil confunde como sendo dança gaúcha.
Porém Curitibano é uma Dança tipicamente de Curitiba que surgiu no século
dezenove por influência dos imigrantes espanhóis e árabes, que se perdeu no
tempo, mas que estou tentando resgatar. Danças são linguagens que refletem
sentimentos e merecem ser pesquisadas.
[Blog Pense Repense]: No seu currículo, você menciona o "resgate
de lendas passadas de geração em geração". Qual foi a história mais difícil
de pesquisar ou aquela que mais te surpreendeu pelo realismo dos
relatos?
[Luciana do Rocio]: As lendas que envolvem crimes reais
são as mais difíceis de pesquisar. Pois tento contato com os
parentes das vítimas com o objetivo de fazer uma pesquisa séria, mas muitas
vezes esses familiares, geralmente, acabam me xingando e já até recebi ameaças. Então prefiro não citar os títulos dessas lendas, que foram
as mais difíceis aqui, para não ter confusão com os parentes das vítimas de
crimes reais que inspiraram essas mesmas lendas.
[Blog Pense Repense]: Você venceu o Prêmio SESC de Literatura
Infantil. Qual o desafio de contar o "lado sombrio" ou misterioso de
Curitiba para as crianças sem perder o encantamento e a ludicidade?
[Luciana do Rocio]: Curitiba tem muitas lendas que envolvem
animais e isso chama muita a atenção de crianças, exemplos: Lenda do Gato
Bóris, Lenda da Mula Milagrosa da Igreja dos Passarinhos, Lenda do
Grimpeiro, Lenda do Gato Kiko, Lenda da Girafa Pandinha do Zoológico do
Boqueirão, etc. O público infantil se interessa muito por causos misteriosos
que envolvem bichos.
Assim, em concursos de contos infantis, eu sempre falo de vários animais
encantados que vivem na cidade. No concurso do SESC, o título do meu conto
vencedor, em 2017, foi: O Dia Em Que as Lendas do Paraná Foram Sequestradas,
onde uma bruxa aprisiona personagens das principais lendas da capital
paranaense.
[Blog Pense Repense]: Se você pudesse escolher um personagem das suas lendas para dar os parabéns a Curitiba no dia 29 de março, quem seria e o que ele diria para a cidade?
[Luciana do Rocio]: Eu escolheria Santa Popular Maria Bueno, porque ela foi vítima de feminicídio, um crime que até hoje mata centenas de mulheres no Brasil. Então ela merece ser lembrada assim como as mulheres vítimas desse tipo de crime. Eu diria:
— Espero que chegue o dia que nenhum homem mate mais nenhuma mulher nesse planeta.
[Blog Pense Repense]: Para quem quer começar a escrever sobre sua própria cidade ou cultura local, qual é o seu conselho de "mestre" para transformar o cotidiano em literatura fantástica?
[Luciana do Rocio]: Primeiro a pessoa precisa gostar de Lendas Urbanas e causos sobrenaturais. Depois, o futuro escritor tem que ser apto para conversar e entrevistar pessoas no mundo real, pois no mundo virtual podem ocorrer alguns enganos.
Aliás, é através das entrevistas presenciais que observamos detalhes fundamentais como: expressão facial e gestos corporais. O futuro escritor também precisa fazer anotações, em papel, de tudo que encontrar de interessante sobre o assunto. Após isso ele deve saber filtrar as informações e riscar as contradições.
Ao escrever o texto final, o futuro escritor não deve buscar ajuda na Inteligência Artificial porque, nesses casos, ela dá informações erradas e pode estragar o texto.
Finalmente, tem o mais importante: não ligar para críticas negativas ou comentários maldosos.
Lendas Curitibanas
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Oi Aliii, amei a entrevista, e amei ainda mais por ela ser e falar da nossa linda Curitiba 😍 Sou curitibana, mas já tem alguns anos que moro na região metropolitana. A nossa cidade da garoa merece essa visibilidade e vc fez isso com maestria. Parabéns pela entrevista Alii e Luciana 🤗 Sucesso 🙏🏽
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