[Contos] Doce Vingança


Qual o preço a pagar para que a vingança seja feita? Eu ainda não sei. Mas que é bom saboreá-la, sim, é muito bom. "A vingança é um prato doce que se come frio". Não, não é sorvete, mas a sensação de bem-estar é semelhante. É quase como saborear a justiça, só que a diferença é que você paga qualquer preço pela vingança.



Michelly era seu nome, ela entrou aqui no escritório dois meses depois de mim, já estamos há quase 1 ano aqui no famoso site de entretenimento Butterfly.


Eu sou Érica Moura, editora de uma das paginas do site sobre decoração e reciclagem doméstica. Você deve estar pensando como uma garota como eu conseguiu uma vaga tão boa assim? Bom, meu pai é o editor de uma pagina de esportes, a principal do site, e conseguiu esse emprego para mim. Tudo bem, eu falo, meu pai é o Diretor e editor da pagina, ele faz o que gosta e ainda manda em tudo. Meu pai sempre quis me colocar na empresa, mas eu nunca aceitei, era besteira para mim.

O meu negócio era "escutar rock, andar de skate e tomar cerveja", como dizia meu pai. Ele se esqueceu das drogas e festas. Ah é, ele não sabia até a policia me levar para casa cinco horas da madrugada e fazer o maior "auê", me pai quase enfartou.


Mas voltando... Eu estava me dedicando nesse emprego. Estava há um ano já. Eu havia me inscrito em uma faculdade de Web Designer. Já tinha a confiança de todos, tinha algumas amizades novas e saudáveis. Larguei meus antigos amigos, as drogas, bebidas e festas. Era uma nova mulher.



Até que ela entrou na minha vida. No seu papo já desconfiei que ela jogava no me time. Saímos algumas vezes, até ficamos, mas nada sério, deixamos claro que era apenas diversão, por causa do que podiam pensar de nós na empresa e na própria sociedade mesmo. Era secreto, óbvio. Mas eu enjoei dela, até porque quando é secreto não pode ser duradouro, e eu terminei antes que começasse. Não tinha porque continuar e eu avisei que não era sério. Ela disse que me amava e ia contar para meu pai para nós namorarmos perante a sociedade, que é doente, que nem ela!



-Você é louca guria?- perguntei a ela- Você sabe o que vão falar da gente?

-Enfrentarei tudo por nós!- ela respondeu.
-Que nós? Eu sou eu e você é você. Separadas, como a água e o óleo!



Maldição. Maldita hora em que fui dar bola para aquela garota. Ela falou com meu pai sobre "nós". Eu tentei desmentir, mas não adiantou. Eu me esqueci de falar sobre um dia que ela me dopou e nos filmou transando na banheira do quarto do meu pai... Claro, ele ficou uma fera comigo. Só não me mandou embora da empresa porque ele achou que não fosse motivo o suficiente e eu estava recomeçando uma nova vida. Mas ela estava disposta a acabar comigo caso não ficasse com ela.



Michelly realmente me amava. Amor doentio. Ela começou a sabotar meus trabalhos no site, o que foi a gota d'água para meu pai. Ele tomou de volta o meu carro e minha matricula na faculdade.



-Por que fez isso?- perguntei a meu pai.

-Porque foi necessário, você saiu do controle de novo, parece uma criança mimada!
-Pai! Pelo amor de Deus. - supliquei- Você não vê que é uma armação daquela vagabunda?
-Não. Eu vi muito bem você e "aquela vagabunda" transando na minha banheira. E sabe de uma coisa? Pareciam bem intimas!
-Pai..., ela me dopou, sabe que faz muito tempo que larguei essa vida. Eu até comecei a sair com um cara da faculdade...
-É? E quem é ele? Um de seus "amiguinhos de mentirinha"?
-Não pai, é um cara legal, ele esta estudando psicologia e era me ajudou com esses transtornos de sexualidade, drogas e tal. Pai, eu larguei dessa vida, acredite em mim!



Foi quanto meu pai começou a ter confiança em mim, ele sabia que eu estava falando a verdade, podia ver em meus olhos que desta vez era sério. Voltei para a faculdade, ele devolveu meu carro e estou trabalhando em desenvolver sites para empresas. Isso faz 6 meses desde a última briga. Tirei os piercings até.



Estou morando com Marco Polo- o cara que eu estava saindo- há 3 meses, e estamos bem. Quem diria. Eu até tinha esquecido o que aconteceu, mas essa vaca começou a mandar emails para meu namorado sobre "nossas aventuras". Muita coragem. Mas ele já sabia de tudo, então simplesmente ignorou. E eu não iria deixar barato.



Em um dia chuvoso e barulhento por causa de trovões eu fui ate o apartamento dela. Ela tentava me beijar me pedindo perdão do que fez. Como foi legal olhar nos olhos dela, lacrimejados de arrependimento, de amor...



-Eu prometo que sairei da sua vida para sempre!- A vi fazendo figas em quebra de promessa atrás de suas costas através de um espelho. - Mas não faça nada de mal a mim!

-VOCÊ- ESTÁ-MENTINDO!- gritei pausadamente enquanto golpeava o espelho atrás de Michelly. Ela soltou um grito de susto.
-Você vai sair da minha vida e vai ser agora!




Saquei uma pistola a. 40 a 9 mm com silenciador e apontei para sua testa, engatilhei e atirei bem no meio. Foi muito rápido. Seu sangue, impuro, começou a escorrer do buraco da bala enquanto ela ia caindo ao chão.




Só pude a ouvir sussurrar "Eu te amo Christine" enquanto eu pegava a arma atrás de minha cintura. Ela caiu no chão. Pálida, fria, com a mesma afeição de tristeza de momentos antes de eu atirar nela.



Michelly não se dava com os vizinhos, e como não é um bairro "bom", todos do prédio se tornaram suspeitos.

Eu voltei para casa, tomei banho por um longo tempo, vesti um pijama qualquer e me deitei.


-Onde você estava querida?- me perguntou Marco.

-Resolvendo uns negócios- respondi.
-Eu sei que nunca sentira por mim o mesmo que sente por... Você sabe... - Eu interrompi.
-Eu te amo Marco Polo. Você me ajudou a me tornar a mulher que sou agora. Tenho uma dívida com você, para sempre!
-Então você aceita meu pedido de casamento?
-Pedido de casamento?- perguntei surpresa.
-Sim- ele se vira para pegar uma caixinha de veludo vermelha, abre-a expondo um lindo anel de brilhante- Érica Moura, aceita ser minha esposa, casando-se comigo? A emoção tomou conta de mim, mas respondi com um sorriso enorme e lagrimas nos olhos.
-Sim, aceito ser sua esposa!



Ele se arruma na cama para colocar o anel em meu dedo, depois me aconchego em seus braços até pegar no sono com o som da chuva.





Aline C. Duarte

Contos: Doce vingança/2013

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