O Caos Visual e Criativo da Aline: 5 Fases da Adolescência


O baú de memórias do blog é vasto e, sinceramente, um pouco embaraçoso. Se voltarmos alguns anos, meus posts eram basicamente um diário aberto ao público — sem filtros e com a intensidade hormonal da juventude.

Hoje, eu controlo a narrativa. Resolvi resgatar e condensar em um único ensaio as fases mais questionáveis da minha adolescência. É um exercício de arqueologia pessoal que prova uma coisa: para ter a voz que tenho hoje, eu precisei ser a adolescente que fui.

Preparem-se para a viagem no tempo.

1. A Fase Emo e o Quarto Escuro: (A Sátira do Estilo)

Sim, eu tive a minha fase "Emo" — e ela era mais uma sátira visual à depressão e ao estilo reservado do que uma conversão real! Minha essência sempre foi Rock 'n' Roll, mas o look (o cabelo cobrindo o rosto, a reclusão) era a forma mais honesta de processar o mundo.

A reclusão dentro do quarto escuro, embalada pelo Linkin Park (a melancolia necessária!), não era sobre tristeza forçada, mas sobre encontrar meu espaço seguro em meio ao caos. Uma fase intensa que me ensinou a canalizar a energia caótica em reflexão, e que hoje se manifesta na minha paixão por letras profundas (e, claro, no rock que ainda amo e que nunca me abandonou!).



2. Desenhos Horríveis e a Terapia do Traço

Quem me acompanha sabe que eu publiquei uma dezena de posts com meus desenhos (sim, mais de 10!). E, sim, eles eram horríveis, diga-se de passagem.

Mas o ponto nunca foi a perfeição. O desenho era minha terapia. O traço (por mais torto que fosse) era meu jeito de colocar para fora o que eu não conseguia dizer. Olhar para esses rabiscos hoje me mostra uma coisa: o instinto de criar, de pegar algo da minha cabeça e materializar, sempre esteve aqui. A diferença é que hoje eu uso palavras e ideias, não lápis e papel.

A Arte de (Re)Desenhar a Vida: Das gambiarras da 4ª série às notas do Ensino Médio

Existe uma paixão que me acompanha desde muito cedo: desenhar. E, se você me perguntar como essa paixão começou, eu diria que foi com uma boa dose de criatividade (e umas "gambiarras" que só quem viveu a escola nos anos 2000 vai entender!).

Hoje, ao resgatar esses desenhos de um rascunho antigo, percebo que minha busca por "olhar fora da caixa" já vem de longe.

1. As Técnicas Secretas da Infância

Quando eu não sabia como reproduzir uma imagem que amava, eu dava meu jeito. Eram duas as minhas "técnicas secretas":

  • O Papel Carbono: A forma mais clássica de "passar por cima", garantindo que cada linha estivesse no lugar.

  • O Óleo de Cozinha na Folha: Essa é uma pérola! Aprendi com a Rose, uma amiga da 4ª série do Ensino Fundamental. Pincelava óleo de cozinha na folha sulfite, esperava secar e ela virava um papel vegetal caseiro perfeito para copiar. Pura engenhosidade infantil!

2. Mais do que Desenhar: Era Encontrar o Caminho

Olhando para trás, percebo que, mesmo sem saber, eu já estava explorando diferentes formas de ver o mundo. Desenhar não era apenas copiar; era entender a estrutura, a sombra, a luz.

Era, de certa forma, uma busca por dar sentido ao que me rodeava, um exercício de concentração e de criação. Aqueles cadernos cheios de desenhos não eram só "passatempo"; eram meu primeiro laboratório de Virtù (habilidade e criatividade).

3. As Notas do Ensino Médio: O Primeiro Reconhecimento

No começo do Ensino Médio, a paixão ganhou um novo status. Começamos a aprender algumas técnicas de arte mais formais, e meus trabalhos não eram apenas brincadeira; eles ganhavam notas!

Vou compartilhar aqui alguns desses desenhos, junto com as notas que eles receberam. Para mim, essas notas não eram apenas números; eram o reconhecimento de que aquela paixão tinha um valor, que aquilo que eu criava "fora da caixa" da sala de aula também era importante.

Esses são os únicos registros que tenho


3. A Estranha Coleção de Chaveiros (E a Mania de Controlar o Caos)

Eu já mostrei aqui a minha estranha coleção de chaveiros — aquela que nasceu de uma compra de R$ 0,50 e se transformou em uma obsessão por peças customizadas.

Essa fase revela um traço forte da minha personalidade: a mania de manter uma ordem. Eu coleciono objetos para colecionar memórias, e o ato de desmontar e remontar um chaveiro (como fiz com o coelhinho da Playboy!) era uma forma de ter controle sobre o meu pequeno mundo. Minhas coleções são um reflexo da minha mente caótica, que busca organizar o caos em caixinhas.

Pequenos Objetos, Grandes Histórias: O que cabe em um chaveiro?

Muitas vezes, a gente guarda coisas que, para quem olha de fora, não valem mais do que alguns centavos. Mas, se você olhar com atenção, vai perceber que esses objetos são "âncoras" de memória.

Hoje, decidi abrir minha gaveta e revisitar alguns chaveiros que colecionei ao longo da vida. Cada um deles é um fragmento de quem eu fui e de como cheguei até aqui.

PS.: eu ainda tenho o MP3! E funcionando 💅🏼


A Proteção que vem de Casa

Tenho dois chaveiros que vieram de Aparecida-SP: o de Santa Luzia (minha protetora, presente da minha mãe) e o da Mãe Peregrina (presente da minha avó Glória). Eles representam mais do que religião; representam o cuidado geracional. É aquela sensação de que, não importa onde eu vá, alguém rezou pelo meu caminho.

Ciclos e Contrastes

Olhar para o chaveiro de mamadeira (lembrança de nascimento de um priminho) ao lado do coelho da Playboy (roubado de um amigo na adolescência e customizado por mim com laços e corações) é ver o crescimento acontecer. Saímos da inocência para as rebeldias e amizades da juventude. O mais curioso é que eu já exercitava minha criatividade ali: reciclando argolas e peças de pulseiras para deixar o chaveiro com a minha cara.

O Valor das Experiências

  • O Golfinho de R$ 6,00: Comprado em Balneário Camboriú-SC durante um intervalo de trabalho, na época em que eu era técnica em edificações. Ele ainda emite o som do animal, e toda vez que aperta, ele traz de volta o sol daquela região e a rotina da Autopista Litoral Sul.

  • A Prancha de Madeira: Comprada perto de Penha-SC. Ela tem a imagem que mais me fascina: o pôr do sol na praia. É o meu símbolo de liberdade.

  • O Bolo e a Torta: Comprados por 50 centavos em uma festa escolar. O preço era baixo, mas a memória daquela escola antiga não tem preço.

A Lição da Coleção

Nós não somos feitos apenas de grandes eventos. Somos feitos desses pequenos "cliques" de memória. Esses chaveiros mostram que eu sempre estive em movimento: entre a proteção da família, os canteiros de obra técnicos e os sonhos de pôr do sol na praia.

4. A Obsessão com Esmaltes (A Crise de Identidade na Ponta dos Dedos)

A quantidade de esmaltes que eu tive naquela época era inacreditável!

Essa fase dos esmaltes foi uma das tentativas de me expressar e me transformar rapidamente. Cada cor era um humor, uma forma de dizer algo sobre quem eu era ou quem eu queria ser naquele dia. Era minha vitrine, a única parte do meu visual que eu podia mudar sem pedir permissão, uma pequena rebeldia. Hoje, uso a escrita para essas transformações, mas a necessidade de mudar a paleta de cores da vida continua.



5. Cabelo, Cabeleira... (E as Múltiplas Personalidades)

Eu tenho uma foto para quase cada tipo de cabelo que já tive! Liso, cacheado, curto, longo, escuro, com cores...

Essa montanha-russa capilar reflete a busca incessante por uma identidade. O cabelo era o meu mood board físico: se algo não estava bem, eu mudava o corte ou a cor. Hoje, vejo essa fase com carinho: ela me ensinou que a mudança é inevitável e que a verdadeira identidade está dentro, e não no visual que escolhemos.




Conclusão: Eu Sobrevivi (e Evoluí)

Todas essas fases — a reclusão Emo (só que não!), a arte questionável, as coleções maníacas e as transformações visuais — me levaram até a Aline que escreve para você hoje.

Se você está vivendo uma fase intensa ou "estranha", saiba que ela é parte da construção do seu futuro. Abrace o caos, mas não perca o foco nos seus objetivos.

Chegamos ao fim desse post, mas não vai embora ainda. Que tal buscar uma xícara de café ☕ e continuar nossa conversa sobre livros?

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Com carinho, Aline.

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