6/100 Happy Day - Histórias que os avós contam

histórias que os avós nos contam


Olá leitores pensativos!

Este ano, me propus um desafio pessoal: criar um checklist das 100 coisas que me fazem feliz e transformar cada uma delas em uma reflexão sobre como esses pequenos momentos mexem comigo. Mas, como sei que nenhuma experiência é realmente única, o convite está aberto: adoraria ler nos comentários como você se sente em situações parecidas ou o que este texto despertou em você.

O post de hoje é sobre encontrar nossas raízes, é a descoberta do sentimento de pertenciamento.

Cresci ouvindo meus avós contarem histórias de vida e infância e na época não dei valor. Queria poder ter documentado de forma adequada cada ocorrido. Hoje percebo que a negligência da juventude — aquela certeza de que o 'depois' é infinito, assim como pegamos um livro na estante sempre que queremos relembrar algo — deixou algumas lacunas que o tempo não preenche mais. E agora, na ausência deles, essas histórias têm um peso diferente de quando eu as ouvi.

Caso queira me acompanhar nessa jornada, estarei atualizando este post com os links de cada descoberta:


Lista completa 100 happy day para você se inspirar!

Boa reflexão.

As memórias da minha avó evocam um Brasil rural e rústico, onde o cotidiano era desenhado pelo engenho de açúcar do meu bisavô. Ali, até o básico — como uma "patente" fora de casa — guardava perigos que hoje parecem anedotas, mas que na época eram o retrato de uma vida sem facilidades.

Já faz muito tempo que ela narrou esse ocorrido, e não me lembro os detalhes, mas a narrativa que ainda dança em minhas memórias é a de que minha avó e a irmã brincavam perto dessa patente e uma delas acabou caindo dentro e precisou ser socorrida. No primeiro momento seria o cenário perfeito para um filme de horror, mas como irmã mais velha, manteve a calma e pediu socorro para o seu pai, que a salvou sem traumas físicos ou psicológicos.

Machado da Costa - Empresa de Engenharia oscar Machado da Costa, Hercílio Luz, Ferrovia Tereza Cristina (FTC)

Revirando documentos antigos do meu avô, depois do seu falecimento, encontrei um registro fascinante de 1951 na sua carteira de trabalho, este que eu nunca tinha visto antes: o carimbo da Machado da Costa SA Empresa de Engenharia.

Não foi apenas um registro de emprego; foi a prova de que ele esteve sob o comando do maior engenheiro da época, Oscar Machado da Costa — o homem que deu o aval técnico para a Ponte Hercílio Luz. Imagine o peso disso: as mãos do meu avô, um carpinteiro humilde de Orleans, ajudaram a erguer a infraestrutura que o maior engenheiro do país projetava.

Ele se orgulhava muito que tinha trabalhado na construção da ferrovia Tereza Cristina (FTC), e sempre que passávamos por ela éramos constantemente lembrados. Essa ferrovia está desativada há anos, mas ainda pode ser vista para quem viaja para o sul pela BR 101, entre Laguna (ao lado da antiga ponte) e Criciúma.

Outra história que me marcou foi um fato anos mais tarde sobre a grande enchente em 1974 em Tubarão SC. 

"Ah vai dizer que seus avós foram atingidos pela trágica enchente também?"

Se eles tivessem, talvez eu nem estaria aqui, mas por sorte eles já moravam em Biguaçu SC, e uma visita a alguns parentes quase se transformou em agonia. Já se ouvia nas rádios sobre a forte chuva que estaria chegando na região, e decidiram pegar estrada antes dela chegar. A chuva foi tão torrencial e avassaladora, que quando chegaram em casa já tinha acontecido; ficaram sabendo do desastre pelos noticiários. 

Mas meus parentes que moravam lá sofreram muito. Anos atrás fomos visitá-los e ao passar pela estrada, hoje moderna e asfaltada ― a mesma que ladeia o rio que transbordou ― me passou um sentimento muito ruim, mesmo sem ter conhecimento sobre essa tragédia na época.

Você deve estar se perguntando o que me deixa feliz diante de alguns fatos históricos e outros trágicos. Seria eu "maquiavélica"? 

O que me deixa feliz na realidade não são de fato as trajédias, mas sim saber que mesmo sendo uma pessoa comum e nada especial, meus familiares participaram de fatos históricos do estado, mostrando que minhas raízes são profundas aqui. O sentimento de pertenciamento fica mais forte. Crescer e descobrir que meus avós sempre foram daquele jeito que eu os conheci ― humildes, honestos e trabalhadores ― me faz sentir mais orgulho de ser neta deles.

Fontes: 

Grupo Facebook Memória Capixaba
Repositório Institucional da UFSC


Olhar para trás e perceber o amadurecimento das minhas escolhas é entender que cada fase da minha vida moldou a mulher que sou hoje. Se você também acredita que nossas raízes são como um porto seguro, convido você a explorar as outras reflexões desta jornada aqui no arquivo.

Explorar o Índice da Jornada

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